domingo, 6 de janeiro de 2013

E o tempo impiedoso...

Esta música retrata o que o tempo pode fazer com a gente...e o quanto machuca sabermos que estamos envelhecendo e nada podermos fazer a não ser aceitar o fato de que a morte é o destino certo.
Lamentar  por aqueles que não temos ao lado, por aquilo que não conseguimos, pela viagem que não fizemos e que pouco tempo nos resta.
Olhamo-nos no espelho e a s rugas revelam o quanto somos fantoches nas mãos do destino, da vida.
 

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

O que é a verdadeira Literatura e os amores de verão




Numa  Feira do Livro ocorrida há alguns meses atrás em Guadalajara, um jornalista do jornal Estado de SP de nome Milton Hatoum viu uma cena que de algum modo  dizia muito sobre a literatura e a solidão.
Disse ele que estava cheia de pessoas, mas não necessariamente de leitores.
Ao visitar o estande de uma editora, ele percebeu um escritor de língua espanhola, sentado diante de uma mesinha, à espera de leitores. Ele tinha um ar desolado e conversava com uma mulher. Quando o jornalista passava perto dos dois, perguntou à mulher onde estavam os leitores e ela sorriu e apontou para uma fila de leitores excitados, que queriam comprar a edição espanhola de Cinquenta Tons de Cinza, o best-seller do momento.
É improvável que os leitores dessas historinhas de sexo e violência - ou sexo com violência - leiam romances de Conrad, de Dostoievski ou de Graciliano Ramos.
Quantos se aventuram a ler Coração das Trevas, Crime e Castigo ou Infância?
Para a maioria dos leitores, um livro de ficção é puro entretenimento, algo que não convida a pensar nas relações humanas, no jogo social e político, na passagem do tempo e nas contradições e misérias do nosso tempo, muito menos na linguagem, na forma que forja a narrativa. Talvez por isso o poeta espanhol Juan Ramón Jiménez tenha afirmado que “a poesia é a arte da imensa minoria”.
Isso serve para a literatura e para todas as artes. Os poucos, mas felizardos expectadores da peça O Idiota, dirigida por Cibele Forjaz, sabem disso.
Flaubert costumava lamentar a época em que viveu: a crença entusiasmada e cega no progresso e na ciência, as batalhas fratricidas na França, a carnificina das guerras imperialistas, e a idiotice e bestialidade humanas, que ele explorou com ironia em sua obra. Em uma carta de sua vasta correspondência, escreveu que o ser humano não podia devorar o universo. Referia-se ao consumismo crescente na segunda metade do século XIX.
O que o "Ermitão de Croisset" diria dos dias de hoje, quando a propaganda insidiosa na tevê não poupa nem as crianças e tudo gira em torno da vida de celebridades, de uma fulana famosa que teve um bebê, de sicrano que se separou de beltrana ou traiu uma fulaninha? Qual o interesse em saber que a princesa da Inglaterra está grávida?
Essas baboseiras são ainda mais graves num país como o Brasil, cuja modernidade manca ou incompleta exclui milhões de jovens de uma formação educacional consistente.
No começo da década de 1990, em Saint-Nazaire, um jovem operário entrou no  apartamento do jornalista para consertar o vazamento de uma tubulação. Contou ele que quando o mesmo passou pela sala, viu um romance em cima da mesa e exclamou:
- “Ah, Stendhal. Li vários livros dele, e o que mais aprecio é esse mesmo: A Cartuxa de Parma”.
O jornalista estarrecido perguntou:
- E onde você os leu? Quando?
Então respondeu o operário:
- Aqui mesmo, na escola secundária.
Era uma das escolas públicas daquela pequena cidade no oeste da França.
Nicolas Sarkozy e outros presidentes conservadores tentaram prejudicar o ensino de literatura e ciências humanas na escola pública francesa, mas nenhum deles teve pleno êxito.
Aprender a ler e a pensar criticamente é um dos preceitos de uma sociedade democrática, e esse mandamento republicano ainda vigora na França.
O que os prefeitos e secretários de Educação dos quase 5.700 municípios brasileiros dizem a esse respeito?
A precariedade da educação pública é um dos problemas estruturais da América Latina. Até mesmo a Argentina, que já foi uma exceção honrosa, começa a padecer desse mal.
Comecei essa crônica evocando a solidão de um escritor em Guadalajara. Melhor assim: a solidão está na origem do romance moderno, é um de seus pilares constitutivos e faz parte do trabalho da imaginação do escritor e do leitor.
O tempo se encarrega de apagar todos os cinquenta tons de cinza, e ainda arrasta para o esquecimento os crepúsculos, cabanas e toda essa xaropada que finge ser literatura.
Enquanto isso, Coração das Trevas, publicada há mais de um século, é uma das novelas mais lidas por leitores de língua inglesa.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Natal e realidade

Quando você vê alguém próximo, um amigo mesmo perdendo o controle de coisas simples como levantar um garfo para comer, levar até a boca uma caixinha de suco ou perder palavras simples em meio a um nada de pensamentos, você pensa: "o que é a vida...para que estou trabalhando hoje se amanhã uma doença terrível poderá me acometer e acabar com tudo, assim de repente?"
Nossa isso faz você refletir mais sobre o que está fazendo da vida,  o que realmente vale à pena e se vale à pena alguma coisa.
Não sei, mas após visitar este amigo no sábado, voltei pra casa muito pior do que costumo estar normalmente, e me parece que o gosto da comida era melhor, o pegar do copo, o sorriso da criança, o banho tomado, o urinar...tudo que parece tão simples, mas que na verdade é tão lindo de se fazer.
Não sei se amo a vida ainda mais ou a odeio ainda mais.
Ao que me parece somos fantoches nas mãos do destino ou sabe-se lá o que?



Não sei ao certo se Deus existe e nem por que escrevo "Deus" com letra maisúscula...simplesmente não sei.
Acontece que ninguém sabe de nada o que existe, o que não existe.
A única coisa que sei é que o sentimento verdadeiro não morre nunca.
Não importa o tempo, a distância, a doença, nada de nada.
E o verdadeiro também é único para cada um. Existem pessoas que questionam o que é verdade e o que não é. Aliás tudo é questionável.
Mas eu sinto que morrerei sentindo amor de verdade e sofrendo sempre pela tristeza do mundo que me afeta de forma absurda.
Me doei e dediquei a muitas pessoas e alguma em especial sem querer nada em troca, mas hoje me vejo sozinha de verdade e o quanto me faz falta alguém que me ame de fato, mas não o tenho. Criei ilusões de uma beleza passageira de uma inteligência falsa e de falsos amores.
Nem ao menos uma palavra amiga eu tenho e também não a quero.
Sou amiga do nada e não tenho nada há não ser eu mesma.
Natal...que Natal? Consumismos sem fim, parentes hipócritas, desejos de feliz natal de pessoas que mal falam com você o ano todo. Sabe pra mim chega!
Me assumo exclusa da sociedade capitalista e sozinha por natureza.
De uma vez por todas dançarei com a minha própria sombra o resto dos meus vazios dias e noites mau dormidas até que a perda de consicência chegue e me leve  docemente pelos corredores escuros da morte, assim como está fazendo com meu amigo querido.
Espero que se deus realmente existe que ele faça a parte dele e dê o descanso merecido para alma tão doce e querida como é a do meu amigo.
Um Natal triste e cheio de dor e sombras para todos os seres humanos.

 

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

O que sou afinal?





Caminho no corredor de casa,
Olho para eu mesma,
E percebo não ser mais eu mesma...
A camisola em seda, longa, negra recosta-se no chão,
Esconde-me na penumbra da dor, da tristeza e da solidão.
Dias intermináveis como sendo um cortejo fúnebre eterno.
Lamento olhando-me no velho espelho empoeirado pelo tempo: 
"Oh! Solidão grande amiga.
Oh! Noite companheira confidente!"
E chove, chove suavizando o calor da dor de viver,
Minhas palavras jazem no nada da ilusão,
E já não tem mais grande valia para ninguém,
Se faz indiferente, ausente do mundo, da morte.
Mas por um momento de repente...
Penso não ter mais identidade, mais vida,
E me questiono: eu a tive um dia?
Um dia eu fui eu mesma? 
Nunca estive satisfeita com minha pouca inteligência
Meu fraco físico, minha vil aparência falsa bela.
E  mais uma vez não tenho resposta.
Não ouço  nem mais vozes,
Pois delas também estou ausente.
Me confundo entre vidas, entrelinhas.
Realidades não vividas,
Realidades não reais.
Sou nada além de uma sombra algoz,
De um passado atroz não vivido.
De algo não concreto,
De arte não reconhecida,
De uma quadro não pintado.
Esta é a minha imagem pintura morta em vida.

Pour Anna: Escrito por mim e que traduz de fato que esta sou eu; personalidade feita e que não mudará, haja o que houver e custe o que custar, inclusive minha própria vida.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Far from me

 
Existem algumas música que realmente dizem tudo o que sentimos. E por vezes parecem ser nossas únicas confidentes.

Clamor pela vida


Diante de vós eu clamo dia e noite.
Prestai atenção ao meu lamento,
Pois estou saturado de males.
Minha vida está perto do abismo
E por vezez sinto que sou contada
Aos que descem à cova.
Sou como uma mulher sem força.
É entre os mortos minha morada.
Sou como os que jazem no sepulcro
Dos quais não guardais lembrança
E foram retirados de vossa mão.
Numa fossa profunda
Que a vida me lançaste,
Nas trevas, nos abismos.
Pesa sobre mim vosso furor,
E com todas as vossas ondas
Me afogastes.
Afastastes de mim meus amigos
Sou prisioneira sem poder sair.
Meus olhos se consomem pela dor.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Sri Prem Baba - flor do dia



Sri Prem Baba ( Pai do Amor) é um mestre da linhagem Sachcha, da Índia, e também herdeiro de uma das tradições xamânicas das florestas brasileiras

“Um dos aspectos fundamentais a serem compreendidos é que a separação é somente uma ilusão - o externo é reflexo do interno.
Toda a ignorância do mundo está dentro de cada um de nós.
Toda a maldade está dentro do coração humano também.
É muito fácil cairmos na crença de que o mal mora no coração dos criminosos, dos traficantes de drogas, dos terroristas, das pessoas de caráter duvidoso...
Nós somos cocriadores de tudo o que existe no mundo  e está tudo  relacionado.
 Somos um só. Somos um só na luz e um só na sombra.”

Comentário:
Este é um pensamento bem positivo sobre o mundo e o homem.
Mas a grande verdade é que não vivemos num mundo cercado de bondades e positivismos, ao contrário.
A visão que tenho sobre tudo é a pessimista mesmo a seguir o preceito de Tomas Hobbes que acreditava que o homem era mau por natureza: " O homem é o lobo do homem", dizia ele.
E sim como ele foi racional e certeiro nesta filosofia de vida, mesta sábia frase.
A realidade é dura mais tem que ser dita, principalmente por aquelas pessoas que vivem em condições miseráveis, nas periferias por exemplo.
É difícil chegar com um pensamento positivo e bondoso como este, sendo que a mãe do "cara" que mora ao lado do barraco, fora estuprada pelo traficante do morro e nada foi feito. Sabe por que?
Porque o traficante contraventor é amigo do "camarada" da polícia, ops, milícia que atua na região.
Entende como vivemos no próprio inferno? Este exemplo foi fictício, mas poderia ser real.
Não dá para engolir pensamentos e frases filosóficas positivas.
Isso não quer dizer que temos que jogar a toalha e desistir.
Mas temos que ser realistas e parar de sonhar com bondade, pois o homem de fato é lobo do homem.
Não existem amigos de verdade e ninguém está a salvo da malevolência, traição e desonestidade, ninguém.
Há não ser os excluídos da sociedade, como eu que ainda tem ideais próprios e por isso é banalizado e colocado à parte de tudo.
E por isso digo que a solidão é um mau necessário.